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27/01/06 - Tenho um gerente campeão!!!
No futebol, alguns técnicos são tão bons que pegam, muitas vezes, times modestos ou desacreditados e conseguem, unindo o grupo, ser campeões. Por outro lado, temos tantos técnicos incompetentes, que mesmo tendo em suas mãos um "dream team", não conseguem nem o vice-campeonato. Nas empresas, os gerentes de equipes realizam um papel semelhante ao técnico de futebol. Quais são os atributos que um gerente precisa ter para ser campeão? Quais são seus principais desafios?
Todo grande jogador, artilheiro ou um grande goleiro vira um grande técnico, certo? Não, necessariamente. Do mesmo modo que nem todo grande jogador pode repetir o mesmo sucesso como técnico, ainda que estude para sê-lo, nem todo campeão em vendas da equipe pode ser um grande gerente de vendas, ou ainda, um grande engenheiro de obras ser um grande gerente da construtora. As razões são muito simples: Os atributos, habilidades, funções e atividades são diferentes. Mesmo assim, o erro mais comum praticado nas empresas é pegar o melhor da posição e colocá-lo para ser o gerente da equipe.
"Um grande funcionário pode ser promovido até o seu grau de incompetência" - afirma Laurence Peter. O problema é que depois que ele é promovido e não desempenha o que era esperado, ele é demitido. Se antes você não tinha um gerente, uma promoção irresponsável pode te tirar agora um bom funcionário. O ideal é realizar uma avaliação cuidadosa do perfil do pretendente a gerente e observar se ele tem talento ou capacidade para trabalhar as habilidades necessárias da função. O gerente deve atender as necessidades dos clientes, do proprietário, do diretor, dos subordinados, e claro, não esquecer as próprias. Como administrar tantas expectativas?
O gerente campeão não se prende apenas às maiores negociações de venda, gerência dos serviços aos clientes e demais trabalhos administrativos. Ele também deverá entender os processos de decisão do cliente, desenvolver e ampliar o seu negócio, adequar as necessidades do cliente às da empresa, agregar valor e fornecer inteligência competitiva. Nessa última função, contará toda sua experiência e capacidade acumulada com o tempo. O conceito de tempo de trabalho x experiência também é muito relativo. Podemos ter gerentes com 10 anos de experiência, e outros com 10 experiências de um mesmo ano. Ou seja, sua experiência tem sido sempre a mesma, todos os anos em que esteve na empresa, sem novos conhecimentos e habilidades desenvolvidas.
Por outro lado, o gerente deve ser alguém em que todos confiam, se inspiram e aquele que impregna, positivamente, o ambiente de trabalho. Muitos gerentes possuem poder, mas poucos, autoridade. Poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer. Até uma criança de dois anos pode ter poder sobre os pais. Autoridade é diferente, ela é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer, por causa de sua influência pessoal. Quando você ouvir algo como: "Eu atravessaria paredes por você", pode ter certeza que você é um gerente líder a ser seguido, um futuro gerente campeão. Lembre-se: Não existe gerente campeão se o time não for campeão.
Um gerente campeão ama o que faz e faz com amor. Para termos liderança é preciso ter vontade para escolhermos amar, isto é, sentir as reais necessidades, e não os desejos, daqueles que lideramos. Para atender a essas necessidades, precisamos nos dispor a servir e até mesmo a nos sacrificar pelos outros. Quando servimos e nos sacrificamos pelos subordinados, exercemos autoridade ou influência. E quando exercemos autoridade com as pessoas, ganhamos o direito de sermos chamados de líderes.
Quais são os atributos de um gerente campeão? São variados os atributos ou capacidades necessárias para ser um líder: paixão, paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, honestidade, compromisso, excelente capacidade de comunicação, empatia, ser pró-ativo, e por aí vai... Não quero afirmar que todos que possuem essas características ou atributos seriam bons gerentes, e nem tampouco, afirmar que todo gerente deve ter todas essas características. São apenas traços de personalidades achados nos grandes líderes.
Um gerente campeão traça uma direção a partir de sua visão, transforma uma intenção em realidade, e trabalha pela manutenção dessa realidade. Ele inicia processos de mudanças e busca novas formas de fazer o trabalho extraindo o máximo de cada membro da equipe e usando a autoridade de forma sábia. Ele é um facilitador, busca a motivação do grupo, gera confiança e distribui entusiasmo, enfim, como um líder, ele não exige como os outros devem ser. Ele próprio é um exemplo a seguir.
Eu quero relembrar um técnico chamado Telê Santana, que conseguiu o título de bicampeão mundial pelo São Paulo, mas não conseguiu ser campeão do mundo na copa de 1982 com uma das melhores seleções do Brasil de todos os tempos. Acontece algo parecido nos negócios. Por que muitos gerentes campeões não conseguem repetir o mesmo sucesso quando são contratados por outras empresas? São três os fatores que influenciam a eficácia de qualquer processo de liderança, segundo Tannenbaum e Schmidt: O próprio gerente - sua formação, conhecimento, experiência e valores; os comandados - características e valores dos comandados e a situação - ambiente da empresa, modo consolidado de trabalho, clima organizacional, enfim, os valores culturais da organização. Quando esses fatores não estão em harmonia, surgem problemas de comando. Você imaginaria o John Lennon, e seus valores pacifistas, comandando tropas do exército numa guerra?
Portanto, exercer autoridade e influenciar pessoas não é uma tarefa fácil. Existe uma dose de talento nato, outra de dedicação e desenvolvimento das habilidades, e principalmente, uma bela pitada de atitude vencedora. Não basta ter talento e intenções, mas não ter a vontade e atitude de pô-las em prática. Lembro-me agora de outro técnico chamado "Felipão" em 2002, totalmente desacreditado, chamado de "burro", que escalou um time também desacreditado e adotou um esquema ainda mais desacreditado. O fim da história da "família Felipão" todo mundo já sabe. Ela contou com um Ronaldo que não só deu a volta por cima como terminou sendo o homem da copa. Mas aí já é outra história, tema de nosso próximo artigo.
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Marcos Sousa
28/11/2005
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